Primeiro poema de 2011.
Como sempre, minha publicação é homeopática, mas esse é meu ritmo.
Eu não lembrava, em absoluto, desse poema que eu havia escrito. Estava em uma pasta do meu notebook junto com roteiros de viagem, reservas de hotel, tabelas com horários de trem e mapas de países Europeus. Em outras palavras, esse poema é uma Narrativa de Viagem (mais para Camilo Pessanha do que para Almeida Garrett).
Um dia ainda reescrevo essa estrofe final, mas fica aí o poema tal qual foi escrito em alguma viela de Veneza.
Fluvial
Entre vielas que se perdem
Nos caminhos que desembocam
Pelos canais que conduzem
No fundo da água reluzem
No fundo da alma recordam
O passado das águas nas margens
Atravesso depressa o Rialto
Não percebo os barcos singrados
O que os homens têm vendido
Os sinais que sigo, errados
O que eu havia esquecido
O sentido sempre inexato
E por aqueles canais estreitos
Com tantas pontes a atravessar
Percebo o estreito no peito
O labirinto que me foi feito
Um mapa pluvial perfeito
Na minha alma a encruzilhar
Seguro em minhas mãos o desespero
As águas me engolem incessantemente
O ar que me falta é sufocante
No vício permanente do meu erro
À sinistra
Afundei-me.
18 de janeiro de 2011
21 de dezembro de 2010
Um Mapa do Mundo
Cada um desenha seu mapa do mundo da maneira que pode. Aproxima lugares distantes pela memória e pela vontade. Depois de ter conhecido alguns lugares onde sempre sonhei estar, fiz a média aritmética da minha expectativa e daquilo que meus sentidos puderam capturar. Isto capturado pelos sentidos é o que Kant chamou de Real, é o que Fernando Pessoa chamou de Sensação, é o que eu chamo de parcela. O mundo tem vários mapas que, conjugados, resultam numa sucessão de mundos possíveis. O meu mapa do mundo marca lugares, pessoas e sentimentos. Meu mapa só pode ser o mapa do meu mundo.
Trilha sonora: A Map of the World - Pat Metheny
Um Mapa do Mundo
O meu mundo tem seu próprio desenho
e eu mesma tracei o mapa,
com pessoas circulando enquanto o tempo avança,
visto de uma janela como um filme que passa.
O meu mundo tem cheiro de flor e fumaça,
pelo traço de uma criança,
tem monte, tem mato, tem mar e saudade,
amores ardentes no calor da cidade,
parentes voltando no céu da lembrança.
O meu mundo tem todo um colorido
de tintas sinceras que não se apagam,
que dão forma e vida a meus sonhos, sentidos,
que, por entre as estrelas, no meu mundo, espaçam.
Trilha sonora: A Map of the World - Pat Metheny
Um Mapa do Mundo
O meu mundo tem seu próprio desenho
e eu mesma tracei o mapa,
com pessoas circulando enquanto o tempo avança,
visto de uma janela como um filme que passa.
O meu mundo tem cheiro de flor e fumaça,
pelo traço de uma criança,
tem monte, tem mato, tem mar e saudade,
amores ardentes no calor da cidade,
parentes voltando no céu da lembrança.
O meu mundo tem todo um colorido
de tintas sinceras que não se apagam,
que dão forma e vida a meus sonhos, sentidos,
que, por entre as estrelas, no meu mundo, espaçam.
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Um mapa do mundo
4 de julho de 2010
Poesia sou
Uma postagem por semana? Acho que é a primeira vez que acontece. Vou verificar.
Há dúvidas quanto ao título deste poema... na verdade não fui eu quem sugeriu este título, mas faz sentido. Bem, quem sugeriu o título sugeriu também que eu publicasse esse poema que, na verdade, não é bem meu. Ele está mais para uma apropriação das palavras de certos mortos que eu reuni, a saber, Cesário Verde, Camilo Pessanha e Antero de Quental. Mas o que somos nós a não ser a reunião das vozes que nos antecedem?
Ready made também é arte.
Poesia sou
A dor humana busca amplos horizontes
Da enorme dor humana,
Da insigne dor humana...
E tem marés de fel como um sinistro mar...
Mas na imensa extensão onde se esconde
A dor forte e imprevista
Eu acho sempre assunto a quadros revoltados.
Como um deserto imenso,
Branco deserto imenso
Eu sigo, como as linhas de uma pauta,
Com versos magistrais, salubres e sinceros,
Exaustos e curvados,
Escravos condenados,
Em negro recortados.
Disseram que era um Deus... e amortalharam-me!
Como se eu fosse alguém! Como se a vida
Pudesse ser alguém! - logo em seguida
Junto do mar sentei-me tristemente.
Não sinto já, não penso,
Pairo na luz, suspenso
Resplandecente e imenso
Um bramido, um queixume, e nada mais.
Há dúvidas quanto ao título deste poema... na verdade não fui eu quem sugeriu este título, mas faz sentido. Bem, quem sugeriu o título sugeriu também que eu publicasse esse poema que, na verdade, não é bem meu. Ele está mais para uma apropriação das palavras de certos mortos que eu reuni, a saber, Cesário Verde, Camilo Pessanha e Antero de Quental. Mas o que somos nós a não ser a reunião das vozes que nos antecedem?
Ready made também é arte.
Poesia sou
A dor humana busca amplos horizontes
Da enorme dor humana,
Da insigne dor humana...
E tem marés de fel como um sinistro mar...
Mas na imensa extensão onde se esconde
A dor forte e imprevista
Eu acho sempre assunto a quadros revoltados.
Como um deserto imenso,
Branco deserto imenso
Eu sigo, como as linhas de uma pauta,
Com versos magistrais, salubres e sinceros,
Exaustos e curvados,
Escravos condenados,
Em negro recortados.
Disseram que era um Deus... e amortalharam-me!
Como se eu fosse alguém! Como se a vida
Pudesse ser alguém! - logo em seguida
Junto do mar sentei-me tristemente.
Não sinto já, não penso,
Pairo na luz, suspenso
Resplandecente e imenso
Um bramido, um queixume, e nada mais.
23 de junho de 2010
Paisagem Húngara
Poema escrito no chacoalhar do trem de Zagreb para Budapeste. Se eu lembrasse que tinha esse poema aqui no computador, não teria ficado tanto tempo sem postar.
Penso em mudar alguns versos, mas vou publicar mesmo assim...
Textos visuais fazem bem pra alma.
Paisagem Húngara
O céu riscado pelas nuvens traçantes,
tangentes ao cinza acumulado,
são ângulos desenhados pelos raios
do sol que se esconde em vergonhas.
As casas dispersas, largas, perdidas,
floreiam no entorno da estação
e o Lago estagnado se esverdeia de coníferas.
Atravesso um rio que desconheço.
Vejo casas de singular arquitetura.
Vejo o azul que em todo o mundo é o mesmo.
Vejo o mesmo que minha mente procura.
O cenário tão distinto de um lugar que nunca vi
causa-me imensas saudades.
Sinto falta das tropicalidades
apesar do calor daqui.
Penso em mudar alguns versos, mas vou publicar mesmo assim...
Textos visuais fazem bem pra alma.
Paisagem Húngara
O céu riscado pelas nuvens traçantes,
tangentes ao cinza acumulado,
são ângulos desenhados pelos raios
do sol que se esconde em vergonhas.
As casas dispersas, largas, perdidas,
floreiam no entorno da estação
e o Lago estagnado se esverdeia de coníferas.
Atravesso um rio que desconheço.
Vejo casas de singular arquitetura.
Vejo o azul que em todo o mundo é o mesmo.
Vejo o mesmo que minha mente procura.
O cenário tão distinto de um lugar que nunca vi
causa-me imensas saudades.
Sinto falta das tropicalidades
apesar do calor daqui.
9 de fevereiro de 2010
Limites
Poema mais que recente. Feito hoje, depois de um hiato poético.
Minha mente às vezes aparece com cada coisa que nem eu entendo...
Nos espaços inacabados entre eu e mim
Desenho os esboços roçados nos cantos
Os muitos abismos do sujeito objeto
Entornam o estilo dos ancestrais escritos consagrados por sua [precisão e perfeição de artíficio.
A memória rastreia a beleza em uma leitura scanning e retorna de [viagem com a lembrança daqueles quadros estacionados no [Museu do Prado.
Vem as cores, vem as cores, mas as palavras andam por aí [perdidas como as constelações que são apenas pontos e não [signos do zodíaco.
Os cálculos aproximados do limite da alma estão errados.
Não sei fazer cálculos, nunca soube.
Minha mente às vezes aparece com cada coisa que nem eu entendo...
Nos espaços inacabados entre eu e mim
Desenho os esboços roçados nos cantos
Os muitos abismos do sujeito objeto
Entornam o estilo dos ancestrais escritos consagrados por sua [precisão e perfeição de artíficio.
A memória rastreia a beleza em uma leitura scanning e retorna de [viagem com a lembrança daqueles quadros estacionados no [Museu do Prado.
Vem as cores, vem as cores, mas as palavras andam por aí [perdidas como as constelações que são apenas pontos e não [signos do zodíaco.
Os cálculos aproximados do limite da alma estão errados.
Não sei fazer cálculos, nunca soube.
12 de dezembro de 2009
Convite
Bem, hoje não vou postar nenhum poema, mas sim o Convite para a Cerimônia de Lançamento do Livro no qual terei textos publicados. Meu nome aparece aí na lista de escritores nas categorias Conto e Poesia, é só clicar na imagem para ver em tamanho grande.
Sintam-se convidados!
Sintam-se convidados!
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prêmio UFF de literatura
26 de novembro de 2009
Gare du Nord
E lá venho eu de novo com ótimas notícias!
Este blog me dá sorte. Desde a sua criação sempre tenho coisas boas para contar aqui. É claro que algumas tristezas também me abateram durante a existência dessa página, mas essas eu guardo para mim.
O que tenho para contar hoje é que terei mais dois trabalhos publicados. Estou feliz demais! Outro conto meu sairá em coletânea, dessa vez pela EdUFF (Editora da Universidade Federal Fluminense). Fiquei muito satisfeita pela classificação com o conto, mas confesso que fiquei ainda mais contente porque também fui uma das vencedoras na categoria Poesia. Pela primeira vez terei um poema publicado em livro e a primeira vez, a gente nunca esquece. Segue então o meu poema vencedor, uma singela homenagem à cidade Luz, tantas vezes contada e cantada.
Quem vai a Paris e não se sente artisticamente tocado, não tem coração.
Gare du Nord
Agora desejo partir-me ao mundo
Procuro perder-me entre as estações
Por entre calçadas, homens, nações
Quero o distante, o presente, o profundo
Vou contorcer-me nos ferros dos trilhos
Tantos ferros retorcem na cidade
Deixo na “Gare” o resto de saudade
Adeus ao país, ao passado, aos filhos
No vagão das viagens, vivo só
Não tenho endereço a que me escrevam
Esqueço-me acompanhada de impressos
Apanho o T.G.V. na Gare du Nord
Acerto entre caminhos que se erram
Sem raízes, só me prendem os versos
Este blog me dá sorte. Desde a sua criação sempre tenho coisas boas para contar aqui. É claro que algumas tristezas também me abateram durante a existência dessa página, mas essas eu guardo para mim.
O que tenho para contar hoje é que terei mais dois trabalhos publicados. Estou feliz demais! Outro conto meu sairá em coletânea, dessa vez pela EdUFF (Editora da Universidade Federal Fluminense). Fiquei muito satisfeita pela classificação com o conto, mas confesso que fiquei ainda mais contente porque também fui uma das vencedoras na categoria Poesia. Pela primeira vez terei um poema publicado em livro e a primeira vez, a gente nunca esquece. Segue então o meu poema vencedor, uma singela homenagem à cidade Luz, tantas vezes contada e cantada.
Quem vai a Paris e não se sente artisticamente tocado, não tem coração.
Gare du Nord
Agora desejo partir-me ao mundo
Procuro perder-me entre as estações
Por entre calçadas, homens, nações
Quero o distante, o presente, o profundo
Vou contorcer-me nos ferros dos trilhos
Tantos ferros retorcem na cidade
Deixo na “Gare” o resto de saudade
Adeus ao país, ao passado, aos filhos
No vagão das viagens, vivo só
Não tenho endereço a que me escrevam
Esqueço-me acompanhada de impressos
Apanho o T.G.V. na Gare du Nord
Acerto entre caminhos que se erram
Sem raízes, só me prendem os versos
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11 de novembro de 2009
Poema inacabado
Bem, uma postagem por mês é quase bom para quem não tem escrito muito.
Minha produção poética anda em baixa e, coincidentemente, estou com várias idéias para escrever prosa. Há pouquíssimo tempo atrás isso era impensável pra' mim.
Eu sou meio atrasada virtualmente e só ontem resolvi criar uma conta no Twitter. É interessante, embora eu ainda não saiba usar direito. Aos twitteiros de plantão, o endereço é twitter.com/datilografia .
Poema Inacabado
O meu amor é daqueles não definidos
Isso para amor é qualidade
Tudo que é definido
É limitado.
Meu amor é como pena voando no papel
A pena quando vai pro papel não voa
Voa mais do que deveria
Meu amor é vento no rosto
É brinquedo novo de criança nova
É cheiro de mato na viagem
É canção bonita em Dm.
E apesar de tudo isso
Para minha ironia
Não consegui até agora
Definir o meu amor
Ainda bem
Isso para amor é qualidade.
Minha produção poética anda em baixa e, coincidentemente, estou com várias idéias para escrever prosa. Há pouquíssimo tempo atrás isso era impensável pra' mim.
Eu sou meio atrasada virtualmente e só ontem resolvi criar uma conta no Twitter. É interessante, embora eu ainda não saiba usar direito. Aos twitteiros de plantão, o endereço é twitter.com/datilografia .
Poema Inacabado
O meu amor é daqueles não definidos
Isso para amor é qualidade
Tudo que é definido
É limitado.
Meu amor é como pena voando no papel
A pena quando vai pro papel não voa
Voa mais do que deveria
Meu amor é vento no rosto
É brinquedo novo de criança nova
É cheiro de mato na viagem
É canção bonita em Dm.
E apesar de tudo isso
Para minha ironia
Não consegui até agora
Definir o meu amor
Ainda bem
Isso para amor é qualidade.
2 de outubro de 2009
Vivem os homens às Artes
Após um longo hiato de postagens devido, principalmente, a minha falta de tempo quando morava na Europa, resolvi recomeçar. Para me dar ânimo, fiz um novo layout para o blog. Eu gostava da antiga aparência monocromática, mas estou atualmente em um estado de alma colorido com tons pastéis e estou bem assim.
Vou postar um poema meu bastante antigo mas acho que se relaciona com a minha atual fase poética. Ando com a necessidade de excesso musical nos meus últimos escritos e já há algum tempo não consigo escrever poemas sem aliterações. Acho que li Cesário Verde em demasia quando estive em Portugal...
Ainda bem.
Vivem os Homens às Artes
Às artes, mais que aos homens, cabem
Respeito ao trabalhar-lhe e Amor no fazer
Pois amor é necessário para se ter
E respeito é necessário com que se tem
Ela exige respeito
Pois possui leis próprias
Que até mesmo desconheço
Mas que, cego, obedeço
Ao tentar contar as histórias
Que lhes são de direito
Não tento fazê-la
Pois já está feito
Tudo aquilo outro
Que no mundo existe
Mas a idéia que persiste
É de transformar em ouro
Todo o bruto conceito
Que insiste em sê-la
Peço somente que me agracie
Que me ceda uma pouca infinitude
Própria, única e sua
Para poder dizer que me pertence
Aquela extensão que me cabe
Mesmo quando se sabe
Que, ao menos, pretende-se
Somente vê-la seminua
Sem minha interferência a amiúde
Para que alguém a aprecie
Dou a ela o que já tem
E que me retribui de bom grado
Pois o que me pede
Além de respeito,
É que em toda minha sede
Não seja eu desatinado
E só use as notas que convém.
Como todo o resto das coisas
Ela só faz questão daquela uma,
E se tudo busca harmonia
Porque então com ele haveria
De ser outra coisa importuna?
Seu equilíbrio então transmuta
No bailar de seus acordes
Baila a pena e a batuta
Vivem os homens à poesia e à música.
Vou postar um poema meu bastante antigo mas acho que se relaciona com a minha atual fase poética. Ando com a necessidade de excesso musical nos meus últimos escritos e já há algum tempo não consigo escrever poemas sem aliterações. Acho que li Cesário Verde em demasia quando estive em Portugal...
Ainda bem.
Vivem os Homens às Artes
Às artes, mais que aos homens, cabem
Respeito ao trabalhar-lhe e Amor no fazer
Pois amor é necessário para se ter
E respeito é necessário com que se tem
Ela exige respeito
Pois possui leis próprias
Que até mesmo desconheço
Mas que, cego, obedeço
Ao tentar contar as histórias
Que lhes são de direito
Não tento fazê-la
Pois já está feito
Tudo aquilo outro
Que no mundo existe
Mas a idéia que persiste
É de transformar em ouro
Todo o bruto conceito
Que insiste em sê-la
Peço somente que me agracie
Que me ceda uma pouca infinitude
Própria, única e sua
Para poder dizer que me pertence
Aquela extensão que me cabe
Mesmo quando se sabe
Que, ao menos, pretende-se
Somente vê-la seminua
Sem minha interferência a amiúde
Para que alguém a aprecie
Dou a ela o que já tem
E que me retribui de bom grado
Pois o que me pede
Além de respeito,
É que em toda minha sede
Não seja eu desatinado
E só use as notas que convém.
Como todo o resto das coisas
Ela só faz questão daquela uma,
E se tudo busca harmonia
Porque então com ele haveria
De ser outra coisa importuna?
Seu equilíbrio então transmuta
No bailar de seus acordes
Baila a pena e a batuta
Vivem os homens à poesia e à música.
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poesia
25 de março de 2009
Desistente
Meu primeiro post após pisar em solo Europeu. Cá estou, atordoada de novidades, desesperada por conhecer tudo e extremamente cansada. Não faz mal.
Hoje, depois de uma conversa com caríssimos brasileños que também estão vivendo em Lisboa, fiquei pensando se não seria melhor chamar o blog de "Dactilografia". Depois do Acordo Ortográfico essa grafia parece um preciosismo e eu gosto disso.
Tenho nojo
Não mais de mim mas,
do que me tornei.
Preferia a normalidade
Ser alheia
E não ver as coisas
Como elas realmente
Pensam que são.
Dos outros tenho pena
E a pena
É sempre a inveja em ser,exatamente,
Tão pequeno quanto.
Queria eu ser contente
E não atenta
E perceber nas minúcias
Que não há nada ali para ser reparado.
Queria sentir a falta daquele que partiu
Chorar de saudade
E pensar ser completa com sentimentos medianos.
Acima de tudo,
queria ter raiva.
Eu só tenho sonhos,
Apesar
E uma mente pueril, maculada
por mais que nova, já cansada
E dos sentidos,
Desistente.
Hoje, depois de uma conversa com caríssimos brasileños que também estão vivendo em Lisboa, fiquei pensando se não seria melhor chamar o blog de "Dactilografia". Depois do Acordo Ortográfico essa grafia parece um preciosismo e eu gosto disso.
O poema é antigo, melancólico e não se relaciona com meu atual estado de espírito, mas andei lembrada dele. Depois escrevo outro texto menos desacreditado para não pensarem que ando com tendências suicidas em Portugal.
Desistente
A ânsia bate a portaTenho nojo
Não mais de mim mas,
do que me tornei.
Preferia a normalidade
Ser alheia
E não ver as coisas
Como elas realmente
Pensam que são.
Dos outros tenho pena
E a pena
É sempre a inveja em ser,exatamente,
Tão pequeno quanto.
Queria eu ser contente
E não atenta
E perceber nas minúcias
Que não há nada ali para ser reparado.
Queria sentir a falta daquele que partiu
Chorar de saudade
E pensar ser completa com sentimentos medianos.
Acima de tudo,
queria ter raiva.
Eu só tenho sonhos,
Apesar
E uma mente pueril, maculada
por mais que nova, já cansada
E dos sentidos,
Desistente.
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