21 de dezembro de 2008

Fugidias

Antes de publicar o poema, quero contar a minha vontade de gritar ao mundo. É a segunda boa notícia que posto aqui. Tomara que permaneça desta forma.

Recebi uma carta ontem que me fez chorar de alegria.. um sonho se realizou: Vou para Portugal estudar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Vou morar sozinha em um país desconhecido, mas o que importa? Vou estudar na mesma Faculdade que estudou Fernando Pessoa e vou cursar a disciplina "Estudos pessoanos" só para entender melhor o bigode. Estou nas nuvens, absolutamente. Quero mesmo estar nelas em fevereiro, quando vou voar para minha nova morada...

Fugidias

Todas as palavras
implodem
Seguras,
no limiar da vontade
Escandalando dentro
por contenção.
Querem eclodir
Não podem
Há vergonha e
orgulho.
Ficam suspensas no vértice
Quase fugidias no ápice
Depois se agarram ao pretérito
Passa o momento
Ninguém saiu.

19 de novembro de 2008

Sê frágil

Pura pobreza poética. Desabafo com a anomalia do verso mas, desabafo meu. Confesso que queria não ter o vício de escrever no papel para poupar a vergonha de não ter os manuscritos já transferidos para o computador.



Sê frágil

Da condição humana
Talvez a única que seja
realmente digna e sincera

Mostrar forças desgasta e consome
Quebra tua casca mentirosa
Hipócrita!
Mostra que chora!
Que teme!
Que isto significa tudo
E nada é a tua inércia
incapacidade
falta de ousadia
Que não diz que ama pois,
Tu, alma desperdiçada,
Não vales a pena.
O outro merece toda lágrima
tristeza, morte lenta
Porque te rejeita
e é capaz disso.

Sê digno da doença que é tua
E descanse em caos.

30 de outubro de 2008

Encontros Fortuitos

Querido amigos que aqui me visitam,

Tenho o prazer muito grande de compartilhar com vocês uma experiência inédita e maravilhosa.

Meu conto "Encontros Fortuitos" ficou em 8º lugar geral no 19º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, recebendo Menção Honrosa pela Banca Examinadora e será publicado em uma coletânea de novos contistas brasileiros.

Esse concurso foi o primeiro em que me inscrevi e, sinceramente, não esperava nenhuma premiação. Ter garantido essa publicação logo de cara me dá muito ânimo para continuar escrevendo e enviando meus trabalhos para o conhecimento de terceiros.

Este conto foi escrito, na verdade, como trabalho final da disciplina Literatura Portuguesa IV quando eu tinha 19 anos e estava no quarto período da faculdade. Tem 7 páginas e trata de uma prostituta que se vendeu a todos os heterônimos de Fernando Pessoa. Tinha que ser, aquele Bigode ali em cima sempre me dá sorte.

Poderia publicar o Conto aqui mas, como quero que vocês comprem o livro, não o farei.
Também não postarei nenhum poeminha hoje... estou feliz demais para os versos melancólicos salvos no meu HD.

Agradeço sinceramente a todos que me leem.

Um beijão,
Gabi.

24 de outubro de 2008

Poesia em cinco minutos

A inconstância.. mal se começa a Datilografar e já se abandona a tarefa. Queria mostrar isto aos outros para que me lessem. Penso e me canso. Preguiça de me expor, preguiça de ser julgada, preguiça de me compartilhar. Estou online, eu sei, mas vinde a mim os Internautas que eu vou Argonauteando por aí...


Poesia em cinco minutos

A ilusão do saber
A consciência dos sonhos
A lucidez dos delírios
A loucura submersa da razão
A trama dos vapores
A conjuntura das areias
Todo o resto não.
E sê nada.
Além disso.

6 de outubro de 2008

Personal Development

Fiz esse poema originalmente em inglês e resolvi traduzir.
Sem sucesso na minha tentativa, resolvi publicar em inglês mesmo.

Personal Development

Reaching what is beyond
being the over
Winding rarely
Breathing Silently
Standing on my own
Laying my soul
Renting my body
for astral influences
Look carefully
It is an aural minute.
The spirit has no frameworks.

1 de outubro de 2008

Corpóreo

Fiz para ele, inevitavelmente.

Corpóreo

Nos caminhos tortuosos,
Sinuosos, entorpecentes,
Teu corpo me aflora,
me desvela, me desmente
Nomina minhas taras
Minhas caras, minhas falas
Descobre meu corpo
Meus males, meus medos,
Meus seios, meu pior,
Meu melhor e meus meios.
Ecoa no fundo,
no surdo, no toque
Altéreo e Estático
Penetra e retumba
no brado, no braço,
no grito, no seco.
Beija e transpassa
Transcende, atravessa
O gozo no fim.
O amor. A promessa.

26 de setembro de 2008

Do amor, a raiva.

Antigo, mas um poema importante para mim. Marcou a fase na qual eu comecei a escrever com um objetivo. O objetivo mudou, mas eu continuo escrevendo.


Do amor, a raiva

De todo o amor que tenho
Sinto raiva
Raiva não de tê-lo
Mas de ser aquele, a mim
Mais justo.
A solidão é conseqüência
Conseqüência de qualquer amor
que seja verdadeiro
Pois os amores correspondidos
São medíocres
E os amantes
São doentios.
Minha raiva faz pulsar
Se sinto a vida
É porque ela está na solidão
E todas as felicidades
Não me competem.
Os amantes não sentem
O sangue não corre
Não percebem a morte
que se aproxima.
A morte é conseqüência
Daquilo que faz pulsar
E se morro
Um pouco mais a cada dia
É porque ainda existe
Alguma vida.
Escolhi a taquicardia
Definhar lentamente
E é nos braços do vazio
que me embalo
E só não sou melhor por isso
Porque ainda busco
Em outros braços
Algum consolo
Se não seria plena
Plena incompletude
E enfim humana
Por isso.

24 de setembro de 2008

Nunca Imaginei

Nunca Imaginei que seria possível escrever para uma pessoa que eu amo. Acho que o amor empobrece os escritos quando ele te alegra. Resolvi explorar outros pontos do meu amor e fazer com que ele se torne um assunto poético menos escorregadio que evite cair tanto no clichê. Nessa brincadeira toda, transcrevo uma das minhas tentativas (ou um dos meus erros). O primeiro dos poemas (sim, são vários) que escrevi para ele.

Nunca Imaginei

Nunca imaginei que seria possível
Tudo - e são tantas coisas
Muito mais e isto seria estranho
Nunca imaginei.

Acontecendo, mudando, modificando,
Vendo, vindo, vivendo
Tudo isso - e o resto
Nada mais, pois não é preciso
Nunca imaginei.

A natureza das coisas mostrando
O contrário daquilo que pode ser
Tudo, enfim, e o mundo conspirando
Nunca imaginei.

No contato, as palavras todas
Visual, corporal, ritual
As viagens, memórias, estréias,
Apego, ódio mortal e trilha sonora
Nunca imaginei.

Silêncio quando era preciso
Atitudes, negadas, no agir das coisas
A correia inerte de tudo em volta
Nunca imaginei.

A sorte invertida da procura
O vetor irônico do acaso
Tudo tem vários lados
E quem esteve em todos,
Nunca imaginei.

O pecado aturdido da cegueira
Cataratas de sombra, suor
Esbarrando sempre ao tentar correr
Nunca imaginei.

O tempo todo no desescondido
Visão demais atrapalha ver
Não obstante desaparece tudo
O instante basta ao mundo, mas você,
Nunca imaginei.

22 de setembro de 2008

Soneto da Anti-Métrica

Para o nada aliterações
E cada alteração exigida
Palavras deusa eco. Grilhões
Livrai-lhes a vida. Adeus.

Muito mais fácil é rimar
Somar sílabas descartáveis
Perceber que são só contar
Carregam verdades inúteis

Escrever tudo que não cabe
Falando na acertada métrica
Fingir saber o que não sabe

Reina a técnica do comum
Assim até eu faço poesia
Minha redondilha mais um.

17 de setembro de 2008

gozo-alvorada

Pensar atormento
As memórias todas
circulares...
Os vícios períodos férteis
A falta!
-Esquece
Não dá.

Acordar de manhã
dormir encaixado
rosto papel machê
olhos fundos alcoolatras
o vinho no chão
o movimento quase solar
lento
gozo-alvorada
os contatos pele-a-pelo
a partida...

virou e disse:some!
desvirou e sumiu
nunca mais o dia
alvoreceu


Gabriella Mendes

O Mal dos Homens.

No desespero do mês
A mesma hora certa
A rosa, o choro, o sangue.

O mal dos homens.

É preciso estar triste
Para dizer o que preste
Cantar as feridas
Declarar as chagas
Exibidas
Troféu dos marginais
Dos subpopulacionais
Dos rejeitados por todos
E por você

É preciso sobrar na conta
Arder na doença
Cuidar dos outros e
Restar sozinho
Para escrever um blues

Há de se ter bebido algumas
Chorado todas
Encoberto de breu
Ter dor de madrugada
Padecer no silêncio
Abraçado pelo eco
No beijo irônico do frio

Sentir a derrota
Os ossos
A perda dos entes
O desconforto
A fome e a comida podre
E o verso pobre
E o verso pobre
E o verso pobre


Gabriella Mendes

15 de setembro de 2008

Datilografia

s. f., arte de escrever à máquina.
Assim está lá no dicionário.

Que máquina seria essa, eu me pergunto. Máquina de escrever?
Ora, e o computador não é uma máquina de escrever? Muda-se a abordagem, o meio, a técnica mas, a intenção é a mesma dos copistas do séc XV, dos homens que forçavam a prensa depois que o Gutenberg teve a brilhante idéia de usá-la para fins comunicativos. É também a mesma intenção das senhorinhas dactilógrafas que passavam horas e tendões de seus dias batendo a papelada dos chefes.

Estou a datilografar meus escritos e os escritos dos outros que passaram por mim e me levaram um pedaço. As palavras que eu esqueci de dizer em momentos importantes estarão aqui. As palavras que eu nunca deveria ter dito estarão aqui. A palavra que tem de ser gritada ao mundo inteiro... a palavra e o grito.. bem, esses eu não sei se estarão. Se porventura essa palavra primordial quiser aparecer, será bem recebida.

Poemas, poeminhas, poemetos.
Prosas, prosinhas, prosopopéias, prosódias.
Crônicas, contos, ensaios, rascunho, lixo.

Tudo virá. Não deixarei escapar nenhum.